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O MUNDO DOS MAGOS

A MAGIA NO EGITO

Autor Gilberto Schoereder
30/03/2026

Quase sempre que se fala de magia, mesmo nos tempos atuais, o Egito surge como o local em que tudo começou e do qual todas as formas atuais de magia vieram. Mas nem sempre essa ideia é bem recebida.


                    Pingente com o Olho de Rá, um amuleto de magia no antigo Egito (Foto: Jon Bodsworth/ Wikimedia).

Frequentemente, o antigo Egito é apontado como o centro de difusão da sabedoria esotérica ou ocultista no planeta. Tudo teria começado lá, milhares de anos antes de Cristo, com conhecimentos mantidos secretos de uma forma ou de outra, e posteriormente espalhando-se pelo planeta a partir de milhares de estudiosos que, ao longo dos séculos, teriam conseguido decifrar os segredos da civilização egípcia.
Para outros, o Egito é apenas a herdeira de civilizações anteriores, como a Atlântida ou a Lemúria, que desenvolveram as artes da magia a níveis nunca vistos no planeta, antes ou depois delas. Alguns pesquisadores chegam a dizer que uma das causas, senão “a” causa da destruição da Atlântida foi o uso indevido da magia, provocando um rompimento na própria estrutura da ilha (ou continente, como alguns preferem). Ou mesmo que um confronto entre forças mágicas antagônicas levou a civilização ao seu fim.
Seja como for, a civilização egípcia desenvolveu uma série de rituais ligados à magia. Segundo Kurt Seligmann, os egípcios acreditavam que qualquer palavra articulada e os gestos esboçados por um sacerdote tinham um efeito maravilhoso. O poder mágico de uma pessoa era tanto maior quanto maior fosse seu poder ou força espiritual e energética, sendo que o faraó possuía tamanho poder que podia fazer a terra tremer apenas com um gesto de sua mão.
As imagens eram tidas como seres vivos, ativos, e as estátuas mágicas tinham poderes ocultos capazes de afetar o mundo físico.
Estabeleceram uma série de magias e rituais para se relacionar com o mundo invisível, em particular com o mundo dos mortos. Hoje em dia, muitos pesquisadores entendem que a noção de reencarnação já existia no antigo Egito, e a passagem da alma pelos mundos além da vida era regida por uma série de regras.
Muito da magia egípcia seguia aquelas regras levantadas por James George Frazer, da magia de similaridade e de contato. Assim, tudo o que diz respeito a uma pessoa passa a ter importância, desde aparas de unhas e cabelos, até as imagens e o próprio nome. “Nos encantamentos mágicos dos egípcios”, escreveu Seligmann, “não só o nome como também toda a palavra proferida tinha os seus efeitos sobrenaturais. Nada começaria a existir sem que o seu nome tivesse sido proferido, tal como nada poderia realmente existir antes que a mente houvesse projetado a sua ideia sobre o mundo exterior”.

A grande pirâmide e a Esfinge (Foto: Auguste Léon, 1914).

Não por acaso, posteriormente muitos estudiosos afirmaram que toda a magia ocidental tinha vindo do Egito, desde o conhecimento da alquimia até as cartas do tarô, ainda que nem sempre existam evidências nesse sentido. Um exemplo de alguma confusão que gira em torno da magia egípcia pode ser percebido nas múltiplas interpretações para o papel das pirâmides. Para uns, elas eram basicamente tumbas para faraós ou, nas menores, para nobres. Para outros, eram elementos básicos de magia egípcia, entendida como conhecimento científico, ou seja, as pirâmides possuiriam capacidades – científicas ou mágicas, conforme a interpretação –, que ainda não conseguimos compreender. Elas poderiam servir como uma forma de conservar a alma ou mesmo o corpo dos faraós e nobres. Outros dizem que elas foram construídas a partir de instruções precisas obtidas por meio da astrologia, e tinham como função orientar a caminhada da alma no mundo dos mortos. Ou que, como quase todas as construções do antigo Egito, guardavam em suas formas instruções importantes, conhecimentos ancestrais, que apenas iniciados ou grandes estudiosos poderiam um dia compreender.
Uma das noções mais comuns, especialmente a partir do século 20, é que os sacerdotes magos do antigo Egito possuiriam apenas noções distorcidas de informações muito mais antigas, legadas a eles por civilizações já desaparecidas. Seriam informações de cunho científico, porém incompreensíveis para a sociedade egípcia, que as teria adaptado a seu modo, entendendo que se tratava de um caminho mágico de contato com os mundos visível e invisível.

 

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