O MUNDO DOS MAGOS
OS MAGOS AO LONGO DOS TEMPOS
| Autor |
Gilberto Schoereder |
|
30/03/2026 |
Conheça alguns dos maiores magos e estudiosos de magia citados na história do planeta.
HERMES TRISMEGISTOS
Hermes Trismegistos apresentado como um sábio e professor (mosaico na Catedral de Siena. Giovanni di Stefano, c. 1500).
Seu nome significa “Hermes, o três vezes grande”, e é um dos mais conhecidos entre esotéricos, ocultistas e magos de todo o planeta.
Muitas vezes Hermes Trismegistos é tido como o nome de um conjunto de pessoas responsáveis pela elaboração de textos que formam a base do Hermetismo e que seriam o resultado de milhares de anos de conhecimento oculto da civilização egípcia. Outras vezes, seu nome é associado a uma pessoa específica, um grande conhecedor dos segredos ocultos; ou mesmo ao deus egípcio Thot que, como o deus grego Hermes, era o deus da escrita e da magia. Assim, muitos estudiosos entendem que os dois deuses foram combinados para formar Hermes Trismegistos, o patrono da astrologia e da alquimia.
A designação hermetismo (ou hermética) foi bastante utilizada na Europa, principalmente na Idade Média e na Renascença, representando uma variação da alquimia, magia, astrologia e filosofia, repleta de símbolos e metáforas.
Segudo o historiador da magia, Kurt Seligmann, o deus Hermes era um deus dos colonos gregos no Egito, que haviam identificado os deuses gregos com os de sua terra de adoção. Ao humanizarem Thoth/Hermes, transformando-o em um rei lendário que governou por 3.226 anos, também se passou a dizer que ele tinha escrito dezenas de milhares de livros sobre as leis gerais da natureza. Posteriormente, esses números foram abaixados para 42 livros, que na verdade eram escritos anônimos sobre a filosofia egípcia, sob o ponto de vista dos gregos. Eles foram, então, atribuídos a Hermes Trismegistos e vieram a formar a base do hermetismo.
Com o “renascimento” do interesse por Hermes Trismegistos durante a chamada Nova Era, muitos ocultistas modernos passaram a sugerir que os textos têm origem no tempo dos faraós e que os 42 livros originais e essenciais contendo o principal do conhecimento, filosofia e crenças religiosas da época continuam perdidos ou escondidos, mas os historiadores não sustentam essa versão.
Egdar Cayce também citou Hermes ou Thoth como um engenheiro proveniente da Atlântida, responsável pela construção das pirâmides do Egito.
JANES E JAMBRES
Os bastões de Moisés e dos magos transformados em serpentes, na passagem do Êxodo (Ilustração de Gerard Hoet, do livro Figures de la Bible, 1728).
Também chamados Ianes e Mambres. São os nomes pelos quais são conhecidos os magos que, segundo o Velho Testamento (Êxodo), competiram com Aarão e Moisés, e foram derrotados. Seus nomes não aparecem no Êxodo, mas apenas no Novo Testamento, na Segunda Epístola a Timóteo (3:8).
Seus nomes aparecem no livro Naturalis Historia (História Natural), de Plínio, o Velho, nome pelo qual ficou conhecido Gaius Plinius Secundus (24-79). São apresentados como magos famosos da Antiguidade. O filósofo pitagórico Numerius chamou-os de escribas sagrados do Egito.
Diz-se que o teólogo cristão Origen (185-254) afirmou que existia um livro apócrifo chamado O Livro de Janes e Jambres, contendo detalhes de suas proezas. Alguns pesquisadores afirmam que esse livro não existe e jamais teria sido encontrado. Outros acreditam que existiu, e que fragmentos dele puderam ser recompostos. James H. Charlesworth, professor de Princeton na área de Linguagem e Literatura do Novo Testamento, especializado nos apócrifos do Velho e Novo Testamento, é um dos que defendem a existência desses fragmentos, e cita-os em seu livro The Old Testament Pseudepigrapha (1983). Segundo ele, seus nomes são citados com frequência considerável em fontes ancestrais e medievais, e tradições de suas atividades e destino sobrevivem em hebraico, aramaico, siríaco, arábico, grego e latim. Escritores cristãos, judeus e pagãos também se referiram aos dois magos da corte faraônica.
Tradições judaicas também preservariam uma espécie de lenda popular sobre Janes e Jambres, segundo a qual eles são chamados filhos de Balaão, profeta que surge em Números, e que se converteram ao Judaísmo, deixando o Egito durante o Êxodo.
Outras lendas sobre os magos do Egito dizem que, ao final de suas vidas, eles possuíam conhecimento oculto suficiente para realizar sua jornada ao paraíso judaico-cristão, mas que não foram bem recebidos. Os anjos dos primeiros céus combateram-nos vigorosamente, mas não puderam derrotá-los devido a poderosos talismãs que eles usavam. Quando eles entraram no quarto céu, encontraram Miguel e Gabriel, e mais uma vez, conseguiram vencer e passar. Ao chegarem ao quinto céu, encontraram Metatron, que não os enfrentou diretamente, mas convenceu-os a remover seus talismãs; em seguida, expulsou-os do paraíso.
BRUXA DE ENDOR
O Fantasma de Samuel Aparecendo a Saul, com a Bruxa de Endor (William Blake, c. 1800).
A Bruxa de Endor surge no Antigo Testamento, em I Livro de Samuel (28:3-25), como uma feiticeira que foi visitada por Saul, primeiro rei de Israel. Ele tinha banido todas as feiticeiras e necromantes do reino, mas preocupado com o destino de Israel na batalha contra os filisteus, resolveu consultar o espírito de Samuel, e para tanto procurou a feiticeira de Endor. Samuel foi invocado e disse a Saul que ele e seus três filhos iriam morrer em batalha no dia seguinte e Israel iria cair diante do inimigo.
Alguns estudiosos afirmam que os antigos hebreus chamavam essas pessoas com capacidades sobrenaturais de ob, que seriam o que hoje muitos chamam de médiuns ou psíquicos. Essa proibição já fazia parte das leis judaicas e está registrada em Levítico (20:27) e Êxodo. Na Idade Média, essas feiticeiras e magos foram associadas ao conceito de bruxas e bruxos, que eram os antigos praticantes das religiões pagãs da Europa, que o Catolicismo começava a “apagar” e/ou incorporar.
Na mesma época, desenvolve-se o conceito de Satã como representante do Mal e oposto a Deus, aproximando as religiões pagãs dessa ideia e, portanto, tornando-as más, ligadas ao demônio.
Na Bíblia é dito que a bruxa de Endor tinha um talismã, por meio do qual ela chamava o fantasma dos mortos. Dessa forma, a questão envolvendo a presença da bruxa ou médium de Endor no texto bíblico tornou-se uma questão complicada para a Igreja, que não aceita a possibilidade da comunicação com espíritos, como ocorre, por exemplo, com os médiuns do Espiritismo e, antes disso, no espiritualismo europeu de meados do século 19.
APOLÔNIO DE TIANA
Apolônio de Tiana segurando um orbe, e com as figuras de um dragão, uma esfinge e uma árvore (ilustração de autor desconhecido, anterior a 1800).
Filósofo e professor grego, provavelmente viveu entre os anos 15 e 100. Considerado neopitagórico, diz-se que suas obras inspiraram tanto o pensamento científico quanto o ocultista.
Nascido na cidade de Tiana, na Capadócia, parte do império romano na Ásia Menor, foi educado em Tarso, na Cilícia, e posteriormente viajou muito, chegando até a Índia. Segundo se diz, estudou com os magi do império persa. Nessas viagens, encontrou o que seria seu discípulo, Damis, que manteve um diário de seus atos, incidentes e aventuras. As notas de Damis teriam ido parar com a imperatriz Julia Domna, que as entregou a Philostratus, para que ele escrevesse uma biografia de Apolônio.
Essa biografia está repleta de narrações de milagres. Diz-se que ele tinha a capacidade de ver o futuro, de reerguer os mortos, de curar, de ver à distância, de ler o pensamento, expulsar demônios, de se transportar instantaneamente de um local a outro. Estudiosos modernos entendem que Philostratus exagerou, e muito, ao contar a vida de Apolônio de Tiana, mas que ainda assim ele não pode ser visto apenas como um charlatão, e que Apolônio deve ser visto mais como um reformador honesto que tentou promover um espírito de moralidade prática.
Em 272, o imperador Aureliano sitiou Tiana, que se rebelara contra Roma, e num sonho ou visão ele disse que Apolônio apareceu a ele, implorando que poupasse sua cidade natal. Como admirador de Apolônio, Aureliano poupou a cidade.
O alquimista medieval islâmico Jabir ibn Hayyan escreveu o Livro das Pedras, no qual analisa trabalhos alquímicos atribuídos a Apolônio. Também em alguns ensinamentos da Teosofia o nome de Apolônio surge como um mestre ascensionado.
Entre os cristãos, muitos entenderam que Apolônio era uma fraude, um charlatão, e outros que ele operava por meio do demônio, reação comum daqueles que jamais aceitam qualquer milagre ou ação de magia que não esteja dentro dos padrões aceitos pelo Cristianismo.
SIMÃO MAGO
Disputa entre Simão Mago e Crucifixação de São Pedro (Filippino Lippi, c. 1481).
Nome pelo qual é conhecido um autor tido como antecessor dos gnósticos, ainda que existam pesquisadores que vejam em Simão Mago um dos últimos gnósticos, e não um dos primeiros.
Ele é citado em Atos dos Apóstolos (8:9-24, às vezes traduzido como Simão, o mágico), de Samaria, em que tenta oferecer dinheiro aos apóstolos em troca de suas habilidades miraculosas, especialmente a da imposição das mãos. Assim, ele surge como primeiro herético. A palavra “simonia”, significando a compra ou venda ilícita de coisas espirituais como indulgências e sacramentos, está portanto ligada à suposta atitude de Simão.
Segundo se diz, existem poucos fragmentos de textos atribuídos a Simão, ou a um de seus seguidores usando seu nome, chamados Apophasis Megale. Diz-se que Simão possuía a habilidade de levitar e voar quando desejasse, assim como existem acusações de que ele era um demônio em forma humana, ou mesmo um deus em forma humana, segundo algumas seitas gnósticas. Como se pode perceber, a história muda de acordo com o ponto de vista.
Alguns pesquisadores entendem que as histórias envolvendo Simão Mago são equivalentes, em seu tempo, às lendas sobre Merlin, na Idade Média. Se for confirmado que ele era um dos últimos gnósticos, deve ter vivido por volta do ano 300, mas não existem informações concretas a esse respeito.
Segundo se afirma, o livro apócrifo Atos de Pedro traz uma lenda a respeito da morte de Simão, que estava realizando magia e, para provar a si mesmo que era um deus, saiu voando. O apóstolo Pedro rezou para que Deus parasse o voo; ele para no ar e cai, quebrando as pernas. A multidão, então, o apedreja até a morte. Sutil.
Na versão cristã sobre Simão, ele teria se convertido ao Cristianismo após o encontro com os apóstolos citado anteriormente, e teria trabalhado como missionário, mas novamente tentado comprar dos apóstolos o poder de se comunicar com o Espírito Santo.
Para o estudioso John Lash, especialista em Gnosticismo, Simão Mago era um dos últimos gnósticos, antigo iniciado nos Mistérios Levantinos, e seu nome se tornou conhecido porque ele foi o único a protestar publicamente contra a cristandade. Em sua visão, Jesus não morreu para salvar o mundo, já que ninguém pode fazer isso, o que o tornou o inimigo número um dos cristãos da época.
MERLIN
Merlin e o Cavaleiro (gravura no livro The Rose, de 1848, autor desconhecido).
É provável que nenhum nome esteja tão relacionado à ideia do mago quanto o de Merlin, o druida. Tenha sido um personagem real ou apenas parte de uma extensa lenda, o fato é que o nome de Merlin passou para a história e tem povoado a imaginação das mais diversas culturas, de um lado e do outro do oceano Atlântico, por séculos.
Na cultura ocidental, Merlin se tornou uma espécie de estereótipo do mago poderoso e bondoso, comprometido com sua sociedade e com o Bem. Está diretamente ligado ao ciclo de lendas arturianas, do rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda, que também já tiveram tantas versões que, hoje, poucas pessoas realmente sabem dizer qual é a mais exata, se é que isso existe.
Para alguns pesquisadores, Merlin está ligado à mitologia mais antiga da Grã-Bretanha e Irlanda, às lendas celtas e até mesmo, em alguns casos, à mitologia da criação, milhares de anos antes de romanos e do Cristianismo chegarem às ilhas. Algumas dessas lendas chegavam a afirmar que Merlin teria sido o responsável pela criação de Stonehenge, cujas pedras teria trazido da Irlanda, fazendo-as levitar com seus poderes incomparáveis. Outras lendas dizem que um gigante ajudou Merlin a levantar Stonehenge, e os gigantes já eram conhecidos na mitologia celta há muito.
Já se disse que Merlin, como personagem real, era o último ou um dos últimos portadores do conhecimento mágico dos celtas, em um momento em que sua cultura começava a desaparecer pela força do Cristianismo. E já se disse que, como toda a lenda de Artur, era apenas uma metáfora para esse período de transição, em que uma cultura substituía a outra de forma violenta.
Ele também é conhecido pelo nome Myrddin, um bardo e vidente que aconselhava Ambrosio Aureliano. Na lenda, diz-se que nasceu de uma virgem, sendo “filho do diabo”, uma versão nitidamente cristianizada de sua figura. Era conhecido desde criança pela capacidade de fazer previsões. Posteriormente, teria passado a servir o rei Uther Pendragon e, depois, Artur.
Alguns pesquisadores entendem que Merlin se tornou de fato popular a partir da história elaborada por Geoffrey de Monmouth (1.100-1.155) em Historia Regum Britanniae (História dos Reis da Bretanha), livro por sua vez baseado em personagens históricas e lendárias já conhecidas. Diz-se que o Merlin de Geoffrey foi baseado em Myrddin Wylt, também chamado Merlinus Caledonensis, supostamente um bardo que, depois de presenciar os horrores da guerra, se retirou para uma vida na floresta, no século 6. Geoffrey já havia escrito sobre o personagem antes, em Prophetiae Merlini (Profecias de Merlin).
A participação de Merlin na educação do jovem e futuro rei Artur foi o que marcou a visão moderna do suposto mago. Como lhe falou dos poderes da magia – na verdade, talvez, ensinando a cultura celta, para que não desaparecesse em um reino cristão –, indicando o caminho para Artur, desde a obtenção da espada mágica Excalibur até a formação do novo reino.
Diz-se que Merlin se apaixonou pela feiticeira Viviane, que o enganou, pedindo-lhe que lhe ensinasse um feitiço capaz de fazer com que uma bruxa pudesse enganar qualquer homem; enlouquecido de amor, Merlin o fez, e ela aproveitou o feitiço para fazer com que Merlin ficasse adormecido na floresta.
A DAMA DO LAGO
A Dama do Lago, na pintura A Sedução de Merlin (Edward Burne-Jones, 1874).
Também diretamente relacionada à história de Merlin e Artur. Segundo se entende, ela tem mais de uma função na lenda, aparecendo várias vezes, com nomes diferentes como Nimue, Viviane, Niniane, Nyneve e outros. Foi ela que deu a Artur a espada Excalibur; foi ela quem levou o rei moribundo para Avalon, lançando o encantamento que fez Merlin dormir, e foi ela que teria criado sir Lancelot após a morte de seu pai.
A origem da história está certamente nas culturas pagãs ancestrais dos celtas, assim como o conceito de Avalon. Mais uma vez, como ocorreu com Merlin, diz-se que a primeira referência a ela e a Avalon está no livro de Geoffrey de Monmouth.
Outra versão do relacionamento entre ela e Merlin diz que ela estudou com Merlin, que se apaixonou por ela; mas ela se recusou a lhe dar seu amor enquanto ele não lhe ensinasse todos os seus segredos e, quando ele o fez, ela usou seu poder para prendê-lo embaixo de uma pedra. Como ele podia ver o futuro, sabia o que estava para acontecer, mas não pode evitar.
FADA MORGANA
Fada Morgana (Frederick Sandys, 1864).
Originalmente, Morgan Le Fay, outra personagem ligada à lenda de Artur e Merlin, também chamada apenas Morgana, possivelmente conectada às tradições mais antigas dos celtas. Aparece como antagonista de Artur e Guinevere nas lendas, mas suas características teriam sido desenvolvidas em livros posteriores ao de Geoffrey.
Uma das versões diz que ela era meia-irmã de Artur, e tinha duas irmãs mais velhas, Elaine e Morgause. Geralmente, é apresentada como uma feiticeira inimiga da Távola Redonda, mas posteriormente essa visão foi revista. Diz-se que, originalmente, segundo o próprio nome indica, Morgana teria sido uma fada, posteriormente transformada em mulher. Essa versão, acredita-se, origina-se na antiga literatura e mitologia galesa, e frequentemente foi comparada à deusa Modron.
Hoje, muitas versões apresentam Morgana como a verdadeira defensora da cultura original do povo celta, em oposição a Artur e, às vezes, ao próprio Merlin.
NICOLAS FLAMEL
Gravura mostrando Nicolas Flamel (Étienne François Villain, 1.761).
O alquimista francês Nicholas Flamel (1.330-1.418) é tido entre os principais de sua época. Os textos alquímicos posteriores à sua morte costumam fazer referências aos seus estudos, e quase sempre se diz que conseguiu atingir pelo menos dois objetivos dos alquimistas: obter a chamada pedra filosofal, com a qual conseguiria transformar chumbo em ouro; e obter a imortalidade para si próprio e para sua esposa, Perenelle.
Diz-se que, antes de se tornar um alquimista e estudioso das coisas ocultas, Flamel trabalhava como vendedor de livros, e assim teria obtido um livro misterioso, com 21 páginas, com símbolos alquímicos e escrita antiga, inclusive textos em hebraico. Assim, o trabalho de sua vida teria sido no sentido de traduzir e entender os textos.
A lenda diz que o livro seria uma cópia do Livro de Abraão, com conhecimentos antigos que, eventualmente, Flamel conseguiu decifrar.
JOHANNES TRITHEMIUS
Detalhe do relevo na tumba de Trithemius (Tilman Riemenschneider, c. 1516).
Nascido Johann Heidenberg, Trithemius (1462-1516) teve como discípulos nada menos do que Agrippa e Paracelso, dois dos maiores estudiosos do ocultismo ocidentais. Ele estudou na Universidade de Heidelberg e, voltando para sua casa em 1482, teve de se abrigar de uma tempestade de neve na abadia beneditina de Sponheim. Ele resolveu ficar por lá e se tornou abade em 1483, iniciando sua tarefa de transformar a pobre abadia em um centro de estudos, aumentando a biblioteca local de 25 para mais de dois mil itens. No entanto, as diferenças com o pensamento de seus companheiros levou-o a resignar em 1506.
Seu trabalho mais conhecido é o Steganographia (escrito em 1499) e, segundo alguns estudiosos pensavam, diz respeito à magia negra e como usar espíritos para se comunicar por longas distâncias. Na verdade, a esteganografia é a arte de escrever de forma cifrada, criptografada.
Diz-se que seu interesse pelas “ciências secretas” começou ainda em Heidelberg, quando foi instruído nelas por um professor; posteriormente, ainda que a maior parte de suas obras seja de tratados eclesiásticos, seu interesse pela magia permaneceu, assim como pela alquimia; Trithemius declarou em suas obras que a transmutação era viável e que a pedra filosofal poderia ser obtida por meio de determinados métodos.
Os historiadores entendem que o método de criptografia que ele desenvolveu teve como função esconder os escritos que não dissessem respeito à tradição eclesiástica que seguia. Não são poucos os pesquisadores do ocultismo que entendem que as obras de Trithemius contêm infinidades de ensinamentos, uma vez que as palavras nunca têm apenas um significado. O problema é que a chave para decifrar esses enigmas não foi revelada por Trithemius.
CORNELIUS AGRIPPA
Gravura de Agrippa (Johann Friedrich Christ).
Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim (1486-1535) é considerado entre os grandes magos e estudiosos do ocultismo de sua época, além de astrólogo e alquimista.
Os historiadores dizem que ele tentou conciliar as diversas doutrinas mágicas, seguindo abertamente todas as linhas do pensamento oculto, e procurou unir a filosofia à cabala. Estudou durante um curto período com Johannes Trithemius, a quem enviou um rascunho daquela que seria sua obra-prima, Os Livros da Filosofia Oculta, ou Da Filosofia Oculta (1533), considerado um trabalho enciclopédico do ocultismo do Renascimento, com informações sobre praticamente tudo o que diz respeito ao tema. Como Trithemius sugeriu que a obra permanecesse oculta, Agrippa passou cerca de 20 anos ampliando e revisando-a. Após sua morte, circularam boatos de que ele teria evocado demônios, inclusive um cão negro que apareceu quando já estava morrendo.
Segundo Kurt Seligmann, quando ainda era bem jovem Agrippa juntou-se a um grupo de jovens aristocratas franceses com os quais fundou uma sociedade secreta, mas o grupo se desfez.
Na Itália, proferiu lições sobre Hermes Trismegisto e, por volta de 1520, conseguiu salvar da fogueira da Inquisição uma jovem camponesa injustamente acusada de bruxaria, com o que se indispôs com o inquisidor Savini.
O livro Da Filosofia Oculta influenciou fortemente o ocultismo ocidental. Segundo Agrippa, a magia é uma faculdade poderosa, uma ciência filosófica, física, matemática e teológica. Seligmann explica o ponto de vista do estudioso: “Através da física, conhecemos a natureza das coisas; através da matemática, aprendemos as suas dimensões e tamanho, e podemos calcular o movimento dos corpos celestes; através da teologia, atingimos o conhecimento de Deus, anjos e demônios, inteligência, alma e pensamento. A física é terrestre; a matemática, celeste; a teologia reporta-se ao mundo dos arquétipos”.
Assim, segundo Agrippa, em seu estudo da natureza o mago aumentará a sua sabedoria por graus; pelo estudo das pedras, descobrirá a essência dos astros; a partir dos planetas, seu conhecimento será levado ao sublime.
PARACELSO
Retrato de Paracelso (Augustin Hirschvogel, 1538).
Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, conhecido apenas como Paracelso (1493-1541) era alquimista, físico, astrólogo e um dos maiores estudiosos do ocultismo. Na verdade, a maioria dos estudiosos do ocultismo e magia coloca Paracelso como a maior personalidade nessa área. Seu lema era: “Não sejas outra pessoa se não és capaz de ser tu mesmo”.
Nascido na Suíça, viajou pelo Egito, Arábia, Terra Sagrada, Constantinopla e por toda a Europa, procurando alquimistas e físicos para aprender com eles os segredos antigos. É considerado aquele que trouxe para o Ocidente o conhecimento dos alquimistas islâmicos.
Ele próprio não se considerava um mago, mas é assim que ele é visto pelos estudiosos do ocultismo. Em seus estudos, dedicou grande espaço para os talismãs astrológicos para cura de doenças, e também elaborou talismãs para cada signo do zodíaco.
Sua influência estendeu-se à medicina, tendo sido, segundo alguns historiadores, o primeiro a utilizar químicos e minerais. Foi ele quem desenvolveu o conceito de que o primeiro doutor do homem é Deus; assim, ele não via o corpo como algo à parte, mas uma morada para a alma. Segundo esse ponto de vista, o médico deveria tratar o corpo e a alma simultaneamente, procurando harmonizá-los, um ponto de vista que, hoje, é utilizado pela maior parte das chamadas terapias alternativas, e até mesmo em algumas ramificações da medicina.
GILLES DE RAIS
Gilles de Rais (Éloi Firmin Féron, 1835).
O nobre e soldado francês Gilles de Rais (1404-1440) tem uma história controversa. Tido como um dos companheiros de armas de Joana D'Arc, posteriormente passou à história como uma espécie de “mago negro”, tendo torturado, estuprado e assassinado dezenas de crianças, especialmente garotos. Seu nome é frequentemente associado ao de Erzsébet Báthory, uma aristocrata sádica da Hungria, cujas ações são comparadas às de Vlad III, O Impalador, suposta origem do personagem Drácula, de Bram Stoker.
Para alguns pesquisadores, Gilles de Rais era um doente, um assassino em série; para outros, um estudioso e praticante das formas mais tenebrosas da magia. Segundo se diz, em 1435 ele abandonou o serviço militar e começou a realizar experiências ocultistas, dirigido por um homem chamado Francesco Prelati; o objetivo inicial seria reaver a fortuna que ele havia herdado e gastado. Para tal, precisaria sacrificar crianças a um demônio chamado Barron. Alguns, no entanto, entendem que essa história foi inventada durante seu julgamento, como forma de explicar as atrocidades que cometeu.
As mortes eram executadas com extrema violência, e calcula-se que podem ter sido entre 80 e 200, ainda que alguns citem 600. Muitos corpos foram queimados e enterrados. Após a condenação, Gilles de Rais e seus cúmplices foram enforcados em 1440.
A antropóloga Margaret Murray (1863-1963) disse que Gilles de Rais era um feiticeiro e seguidor de um culto de fertilidade centrado na deusa pagã Diana. Ela questiona a versão oficial do que ele teria feito, mas muitos historiadores entendem que ela está errada.
ELIZABETH BÁTHORY
Elizabeth Báthory (Pintor anônimo, século 17).
Ou Condessa Báthory Erzsébet (1560-1614). Considerada a mais terrível assassina em série da Hungria e Eslováquia, sua história cresceu de tal forma que chegou a inspirar livros e filmes de terror. Passou a maior parte de sua vida em seu castelo e, após a morte do marido, ela e quatro cúmplices foram acusados de torturar e matar dezenas de mulheres e jovens.
Quando o marido estava na guerra, a condessa era responsável pelo castelo e pela defesa da vila vizinha, impedindo o avanço dos turcos.
Diz-se que Báthory era membro de um coven do qual ela dependia para obter poder, riqueza e proteção; esse grupo providenciaria benções orais e encantamentos escritos à condessa, de forma a mantê-la a salvo de perseguições. Diz-se que nas cartas a seu marido, encontradas posteriormente, ela admitia abertamente praticar a magia negra. Assim, entre os anos 1585 e 1610, ela teria assassinado centenas de mulheres, e diz-se ainda que seu marido sabia de suas inclinações sádicas.
Uma das práticas que ficou mais conhecida popularmente e atribuída à condessa era o “banho de sangue”; as vítimas seriam penduradas para sangrar dentro de uma banheira, na qual ela se banharia. Dessa forma, seu nome ficou associado às lendas dos vampiros, quase tanto quanto o de Drácula.
NOSTRADAMUS
Nostradamus (César de Nostredame, c. 1614).
Michel de Nostredame (1503-1566), mais conhecido como Nostradamus, é certamente o nome mais conhecido entre os profetas de todos os tempos. Desde que as suas Profecias foram publicadas pela primeira vez, em 1555, elas vêm chamando a atenção de todo tipo de estudiosos e do público em geral. As interpretações possíveis já fornecidas são tão variadas que se torna quase impossível definir uma como a mais correta.
Depois do atentado ao World Trade Center, em 2001, chegaram a dizer que Nostradamus teria previsto inclusive esse evento, como um dos que antecederiam a catástrofe final, o fim dos tempos. Teria previsto o surgimento de Hitler e do nazismo, assim como sua queda, o surgimento da União Soviética e os problemas no Oriente Médio, entre centenas de outros eventos globais, a maioria deles catastróficos e indicadores de que um tempo de guerra e embate final entre o Bem e o Mal estaria para ocorrer.
Os pesquisadores ortodoxos entendem que essas interpretações dos textos de Nostradamus são apenas erros cometidos voluntária ou involuntariamente ao longo dos tempos.
Farmacêutico, diz-se que não chegou a se formar na faculdade de medicina, mas a praticava, no entanto abandonando-a para estudar o oculto. Escreveu um almanaque para o ano de 1550, utilizando pela primeira vez a forma latinizada de seu nome, Nostradamus. O sucesso do almanaque levou-o a escrever mais para os anos seguintes, chegando à marca, segundo algumas fontes, de 6.338 profecias. Daí, começou a escrever seu livro composto por mil quadras, exatamente as que contêm as profecias tão faladas ainda hoje.
Alguns pesquisadores entendem que Nostradamus tinha grande e profundo conhecimento oculto, e que o utilizava para elaborar as chamadas profecias. Outros afirmam que ele tinha conhecimento astrológico, e que era isso que utilizava para escrever sobre o futuro. Outros, ainda, entendem que ele não era nem uma coisa, nem outra, mas sim uma pessoa com capacidade de ver o futuro – como os atuais psíquicos que possuem a capacidade de precognição –, e que ele poderia utilizar alguma forma de ritual para despertar essas visões.
JOHN DEE
John Dee (pintor anônimo, c. 1594).
Para alguns pesquisadores, John Dee (1527-1608) está entre os maiores magos de todos os tempos; para outros, tratava-se de um estudioso fenomenal para seu tempo. Seja como for, o certo é John Dee teve imensa influência na corte inglesa, durante os reinados de Henrique VIII, Eduardo VI, das rainhas Maria e Elizabeth, e de Jaime I.
Claro que muitos, hoje em dia, entendem que Dee era apenas mais um dos inúmeros charlatões que existiam na Europa na época, mas o escritor Colin Wilson, um dos mais sérios pesquisadores e estudiosos do ocultismo no mundo, afirmou que Dee era um estudioso do ocultismo, sem ser um mago propriamente dito, mas também não era um charlatão.
Estudou alquimia, astronomia e várias vertentes de magia; aos 25 anos conheceu o bruxo Jerome Cardan, e se interessou pelos espíritos e como eles poderiam auxiliá-lo em suas pesquisas.
Acusado de traição, foi preso ao se envolver em uma confusão entre a rainha Maria e sua irmã, Elizabeth, que a sucederia no trono. Voltou a ficar em boa situação na Corte quando Elizabeth assumiu. Dee elaborou planos para combater os inimigos da Inglaterra por meio da astrologia, e também se dedicou à cristalomancia. Ao observar os cristais, entrava em transe e tentava se comunicar com os espíritos, os quais afirmou ter visto.
No entanto, Dee preferiu obter a ajuda de outras pessoas para que entrassem em transe em seu lugar, e foi assim que surgiu o jovem Edward Kelley, que lhe revelou estar em contato com um querubim. Segundo Dee afirmou posteriormente, seria o próprio Uriel, o anjo da luz. Mais tarde, Dee também disse ter visto Uriel, assim como o arcanjo Miguel, e eles lhe entregaram uma bola de cristal.
Outro grande pesquisador do oculto e dos mistérios do planeta, Jacques Bergier, afirmou que o que o anjo entregou a Dee foi um espelho negro, que ainda pode ser encontrado no Museu Britânico. Algumas fontes dizem que esse espelho é feito de obsidiana e tem origem asteca, tendo sido levado para a Europa por volta de 1520; e teria pertencido a Horace Walpole, escritor conhecido por ter iniciado a chamada literatura gótica, precursora da literatura de terror. O Museu também teria outros objetos atribuídos a Dee, como um globo de cristal com seis centímetros de diâmetro e um amuleto de ouro gravado com a representação de uma das visões de Kelley.
Dee transcreveu uma série de diálogos que teria mantido com os seres que contatou, anjos ou não, que falariam uma língua totalmente desconhecido dos humanos. Dee chamou a esse idioma de “língua enoquiana”, mas diz-se que os livros se perderam.
É difícil hoje em dia saber o quanto da vida de John Dee é verdade e o quanto é lenda, ampliada por histórias posteriores de inúmeros autores. O fato é que ele foi, provavelmente, o maior erudito de sua época, estudando praticamente todos os ramos das ciências, ocultas ou não.
CONDE DE SAINT GERMAIN
Conde de Saint Germain (Nicolas Thomas, 1783).
O Conde de Saint Germain (c. 1710-1784) geralmente é tido entre as figuras mais misteriosas da Europa em sua época, e ainda hoje tem seu nome relacionado com o nome de um dos chamados mestres ascensionados, avatares que, em determinado momento, encarnaram em nosso planeta para cumprir uma determinada missão.
Ele é descrito como um aventureiro, inventor, cientista, pintor, pianista, violinista, compositor, alquimista, conhecedor profundo de práticas ocultistas, e capaz de realizar verdadeiros milagres. Também existem referências a ele por outros nomes como Marquês de Montferrat, Conde Bellamarre ou Aymar, Cavaleiro Schoening, Conde Weldon, Conde Soltikoff e Príncipe Ragoczy.
Sua origem e verdadeira identidade permanecem um mistério, a ponto de muitos historiadores, e alguns ocultistas, entenderem que Saint Germain jamais existiu, mas foi uma fraude cuidadosamente elaborada.
A data de 1710, que é apontada como sua data de nascimento, curiosamente também é tida como a data em que ele foi visto pela primeira vez, segundo o Barão de Gleichen, que afirmou que Saint Germain estava em Veneza nessa época. Diz-se que por volta de 1745 ele foi visto em Edimburgo, onde foi preso suspeito de espionagem. Depois de solto, ganhou reputação como um violinista tão bom quanto Paganini. Na mesma época, teria se encontrado com Jean-Jacques Rousseau e, em seguida, desapareceu. O escritor Horace Walpole também diz tê-lo encontrado em Londres, em 1745, descrevendo-o: “Ele canta, toca violino maravilhosamente, compõe, é louco e não muito sensível”.
Tornou a aparecer em cena em Versalhes, em 1758, e é dessa época que data seu retrato mais conhecido. Diz-se que, nesse período, andava por Paris distribuindo diamantes para as pessoas. O famoso italiano Giacomo Casanova afirmou ter visto Saint Germain transformar prata em ouro, acreditando tratar-se de um truque. Dizia-se também que Saint Germain tinha centenas de anos de idade, mas nunca mudava. Havia rumores de que ainda estava vivo e tinha sido visto em Paris em 1835, em Milão, em 1867, e no Egito, durante a campanha de Napoleão. A teosofista Annie Besant (1847-1933) disse tê-lo encontrado em 1896, e o teósofo C. W. Leadbeater (1854-1934) afirmava tê-lo encontrado em Roma, em 1926. O estudioso de ocultismo e teosofia Guy Ballard (1878-1939), fundador do movimento místico I AM, disse que se encontrou com o Conde Saint Germain no Monte Shasta – local hoje muito frequentado por seguidores dos mestres ascensionados e estudiosos de ufologia – e que lá o Conde o apresentou a visitantes de Vênus.
ELIPHAS LEVI
Eliphas Levi (Ilustração do livro The Secret Tradition in Freemasonry, de Edward Arthur Waite, 1911).
Alphonse Louis Constant, mais conhecido como Eliphas Levi (1810-1875) é tido entre os mais dedicados estudiosos do ocultismo de sua época, com sua influência se estendendo fortemente até os dias atuais.
Levi começou a estudar em um seminário, pensando em entrar para o sacerdócio na Igreja Católica Romana, mas seus interesses em outros assuntos fez com que desistisse. Ao visitar a Inglaterra em 1854, conheceu o escritor Edward Bulwer-Lytton (1803-1873) – conhecido pelo livro A Raça Futura (1871), no qual se refere ao vril, uma fonte de energia misteriosa –, que estava ligado ao rosacrucianismo e que levou Eliphas Levi ao desejo de escrever um tratado sobre magia. Esse livro foi Dogma e Ritual de Alta Magia (1855). Sua influência no ocultismo ocidental foi tamanha que ele foi, e ainda é, considerado por muitos como o maior do século 19, ainda que algumas vertentes de pensamento oculto o considerem apenas um estudioso, e não um mago, e alguns até mesmo rejeitem seus estudos.
Diz-se que, em 1839, Eliphas Levi encontrou um grande acervo de documentos e textos gnósticos em um convento na cidade de Solesmes. Nos milhares de volumes, encontrou as informações que precisava para adentrar no mundo do ocultismo. No entanto, diz-se que anos depois conheceu o ocultista Hoene Wronski (1776-1853), que o iniciou na senda, ou caminho; e ele também foi amigo do grande ocultista Papus. Posteriormente, Levi também se aprofundou nos estudos da Cabala.
Publicou, em 1859, o livro História da Magia, também muito bem recebido pelos estudiosos, e é dele aquela que talvez seja a elaboração mais conhecida do Baphomet, erroneamente confundido com a imagem do diabo.
Para a elaboração daquele que considerou seu mais importante livro, Fábulas e Símbolos (1862), Levi disse que foi inspirado por um espírito de luz, que lhe dizia como a obra deveria ser composta, o que nos lembra as atuais obras psicografadas por alguns médiuns.
PAPUS
Papus.
Gérard Anaclet Vincent Encausse (1865-1916), que assumiu o nome ocultista de Papus, era médico, hipnólogo e fundador da moderna Ordem Martinista. Escreveu sua primeira obra aos 22 anos, O Ocultismo Contemporâneo, o que mostra que desde cedo se dedicava aos estudos do oculto. Diz-se que chegou a se unir à Sociedade Teosófica de Helena Blavatsky logo após ela ter sido formada, mas abandonou-a por não gostar da ênfase no ocultismo oriental. Em 1888, ajudou a fundar a Ordem Cabalística da Rosa-Cruz.
Diz-se que, em uma de suas visitas à Rússia, em 1905, ele conseguiu conjurar o espírito de Alexandre III, pai do czar Nicolau, que profetizou que ele iria encontrar seu fim nas mãos dos revolucionários.
Hoje, existem muitas críticas a Papus; alegam que ele era antissemita, e até mesmo teria deixado escritos nesse sentido, o que entra em contradição com seus profundos estudos da cabala judaica.
Ele finalizou seus estudos de medicina, mas também se atribuem a ele curas inesperadas, quase milagrosas; segundo se diz, Papus conseguia saber das doenças das pessoas, e curá-las, apenas conversando com elas. Ele entendia que as doenças podiam ser divididas naquelas do corpo, ou materiais, do astral, ou mentais, e do espírito, ou espirituais. Dessa forma, elaborava para cada uma o tratamento adequado. Também se diz que ele curava à distância a partir do contato com objetos dos pacientes; hoje em dia esse tipo de atividade parece estar mais relacionada aos estudos da parapsicologia sobre a clarividência e viagens astrais.
Entre outras coisas, seu contato com Eliphas Levi lhe deu seu pseudônimo ocultista, já que Papus foi tirado da tradução que Levi fez do Nuctameron, de Apolônio de Tiana.
ALEISTER CROWLEY
Aleister Crowley (1912).
Edward Alexander Crowley (1875-1947), ou Aleister Crowley, é certamente o mais conhecido e citado mago moderno, às vezes visto como uma das pessoas que trouxeram de volta ao Ocidente o antigo conhecimento, outras vezes visto apenas como um mago do Mal. Às vezes, mais conhecido mesmo por ter se autodenominado A Besta, assumindo o número 666, ao qual a Bíblia se refere.
Herdeiro de grande fortuna, pôde se dedicar integralmente aos seus estudos ocultistas. Crowley foi convidado a ingressar na famosa ordem Golden Dawn (Aurora Dourada), e subiu vários graus rapidamente, mas desiludiu-se com seus integrantes, apesar de afirmar ter aprendido muito com um deles, Allan Bennet, que dizia ter o segredo de invocar espíritos.
Mais ou menos nessa época, ele também começou a utilizar drogas alucinógenas, o que tira muito do crédito de suas afirmações de que teria invocado demônios. Crowley rompeu com a ordem e iniciou uma série de viagens de estudos, inclusive ao México e Oriente.
Entre suas criações mais famosas consta o Livro da Lei, ou Liber Legis, elaborado a partir de revelações que teve em 1904, no Egito, e que se tornou a base de sua doutrina, a Thelema. No Egito, sua esposa Rose começou a ter um comportamento estranho e, segundo Crowley, ela entrou em transe, entrou em contato com uma entidade e, por suas instruções, Crowley realizou uma invocação do deus Hórus; dias depois, um ser que se chamou de Aiwass, ministro de Hórus, entrou em contato com ele, e o livro foi escrito.
Ainda hoje, Crowley é muito citado, às vezes criticado e rejeitado como oportunista ou como um mago voltado para o mal, outras tido como o principal mago dos últimos tempos. Ele resgatou para a magia moderna o conceito de que todo ser humano é divino, ao mesmo tempo questionando os dogmas e os conceitos cristãos que há anos vinham apagando a chamada cultura pagã.
SAMUEL LIDEELL MacGREGOR MATHERS
Samuel Mathers (antes de 1918).
Samuel Liddell (1854-1918) foi uma das pessoas mais influentes no ocultismo moderno, conhecido por ser um dos fundadores da Ordem Hermética Aurora Dourada (Golden Dawn), entre os grupos mais respeitados e comentados dos últimos tempos.
Ele foi introduzido na Maçonaria pelo alquimista Frederick Holland, e também participou da Ordem Rosa-Cruz. Na Aurora Dourada, assumiu a liderança em 1891 e, depois de uma divisão em 1900, formou seu próprio grupo, chamado Alfa e Ômega.
Entre suas maiores contribuições para o estudo da magia estão as traduções de livros importantes como: O Livro da Magia Sagrada de Abramelin, o Mago; A Cabala Desvelada; A Chave de Salomão. Tornados populares, ainda que com traduções mal feitas, os livros foram importantes para o desenvolvimento de novos grupos de estudo ocultista ao longo do século 20.
Mathers chegou a ser muito amigo de Aleister Crowley, que durante um tempo foi seu pupilo. Depois, tornaram-se inimigos, quando Mathers processou Crowley devido a um ritual que Crowley tornou público. Mathers alegava ter o copyright do ritual. No embate público entre eles, ambos afirmavam conjurar batalhões de demônios e anjos para lutarem a seu favor.
GERALD GARDNER
Gerald Gardner.
Gerald Brosseau Gardner (1884-1964) é considerado o grande responsável pelo ressurgimento da bruxaria na cultura ocidental moderna, o fundador da Wicca. Antropólogo amador, escritor e ocultista, Gardner publicou alguns dos livros que se tornaram definitivos para o desenvolvimento da Wicca atual.
Ele disse que, em 1939, foi iniciado em uma tradição de bruxaria que acreditava ser uma continuação da bruxaria que existia na Europa pagã, antes do Cristianismo começar a queimar bruxas e apagar a memória dos antigos deuses e rituais. No entanto, alguns pesquisadores entendem que a tradição de bruxaria à qual Gardner se apegou e estudou veio de membros do grupo da Ordem Rosa-Cruz à qual ele havia se ligado. Outros entendem ainda que Aleister Crowley foi uma influência fundamental para que Gardner resolvesse estabelecer uma nova religião pagã.
Seja como for, a Wicca certamente se tornou extremamente popular no mundo inteiro, por um lado de fato resgatando muito dos antigos rituais e conceitos das religiões pagãs, e por outro lado sendo esvaziada ao longo do século 20 devido a uma comercialização extrema e banalização do nome “wicca”. No entanto, muitos grupos no mundo continuam realizando seus rituais e estudos de forma séria.